Alteridade: o que tenho a ver com isso?

Autora: Carlise Führ - Assistente Social


ALTERIDADE. Você já ouviu essa palavra? Pouco ou muito? Com mais frequência em tempos recentes? Mas, já parou para conhecer seu significado? Só para conhecer ou para adotar o seu conceito nas práticas cotidianas?


De fato, alteridade é uma palavra que passou a “mostrar a sua cara” num tempo mais recente, possivelmente reflexo de relações sociais cada vez mais individualizadas, com prioridade quase absoluta aos interesses próprios, em detrimento de interesses de outrem ou do coletivo. Somos chamados, por vezes num apelo vão, a exercitar a alteridade, numa expectativa de melhorar relações, rever posturas, julgamento e aceitar a diversidade como algo positivo e intrínseco à sociedade.

Mas, afinal, o que é alteridade? O que ela tem a ver com nosso dia a dia, com nossas ações e opiniões? Por que eu deveria me preocupar em exercitar a alteridade? Alteridade é ser capaz de se colocar no lugar do outro, de compreender o outro em sua totalidade, nos seus direitos, limitações e diferenças. Quando não exercitamos a alteridade, estamos suscetíveis a provocar discórdias, conflitos e contribuímos no aumento das desigualdades sociais. Colocamos nossas prioridades e interesses acima das prioridades e interesses dos outros, sem refletir sobre os possíveis males que estamos causando aos outros ou ao bem coletivo.


Mas, por que é tão difícil exercitar a alteridade?

Por que nossos interesses tendem quase que absolutamente a se sobrepor aos interesses de outrem ou do coletivo? Diria que muito pela competitividade constante a que somos impelidos a praticar, por nos ser inculcada a ideia da necessidade de sermos o melhor, o destaque, o mais apto, o melhor preparado, o mais valente. E isso exige dedicar primeiramente um olhar para nós, por nós e em nós, para posteriormente pensarmos no outro ou no coletivo. E ainda, a construção social da ideia de haver padrões aceitáveis, sendo o diferente reprimido ou excluído, nos leva a julgamentos e apontamentos inadequados, com posturas ofensivas e de marginalização, contribuindo com a desigualdade e conflito social.