IDES Sustentável: A Força da Campanha Menos Lixo, Menos Plástico
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Sabrina Aparecida de Freitas
A Comissão de Sustentabilidade da IDES lançou a campanha “Menos Lixo, Menos Plástico”, com o objetivo de transformar hábitos e promover a conscientização ambiental interna. Como parte fundamental dessa iniciativa, a instituição recebeu Layra Marques, representante da Parley, para uma ação de sensibilização voltada para as nossas equipes. O encontro mobilizou uma média de 70 colaboradoras e colaboradores, promovendo um debate essencial sobre o uso do plástico no dia a dia e os severos impactos que esse material causa ao meio ambiente.
A urgência dessa discussão é respaldada por dados globais alarmantes registrados no relatório global intitulado "The New Plastics Economy: Rethinking the Future of Plastics" (A Nova Economia dos Plásticos: Repensando o Futuro dos Plásticos) de 2016: se mantivermos o ritmo atual de descarte, os oceanos terão uma proporção de mais plástico do que peixes (em peso) até o ano de 2050. O texto também demonstra de forma inédita que 95% do valor material das embalagens plásticas é totalmente desperdiçado após o primeiro uso curto, gerando um prejuízo econômico anual estimado entre 80 e 120 bilhões de dólares.
Apenas 20% das embalagens plásticas têm a reutilização como uma alternativa economicamente viável.
A produção de resinas sintéticas foi grande durante a Segunda Guerra Mundial, período em que havia a necessidade de preservar recursos e o plástico atendia diversas funções no campo de batalha. Foi a Guerra que forçou as indústrias a descobrirem como produzir plástico em massa e de forma barata. Depois que a guerra acabou, as fábricas adaptaram toda essa superprodução para criar os produtos do nosso dia a dia, como potes, brinquedos e eletrodomésticos, transformando o plástico no material mais utilizado em diversos produtos do nosso cotidiano.
Desde então, de acordo com os dados apontados pela Parley, o mundo produziu cerca de 8,3 bilhões de toneladas métricas de plástico, e quase a totalidade desse volume ainda persiste no planeta.
De acordo com o Dr. Italo Moura, o ciclo de vida do plástico é estimado entre 300 e 400 anos, com isso, o plástico gera impactos negativos desde a sua extração até o fim da vida útil, atuando como um fator de aquecimento global.
Estimativas registradas no site da Parley, indicam que pelo menos 11 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos chegam aos oceanos anualmente, evidenciando que o lixo visível nas costas é apenas a ponta de um iceberg onipresente.
A gestão de resíduos esbarra em desafios técnicos complexos no contexto urbano e na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Embora Florianópolis seja referência nacional em gestão de resíduos, muito se tem a avançar, e ainda, nem todas as cidades contam com centros de reciclagem e a separação dos materiais exige atenção, já que existem sete tipos básicos de plástico.
Enquanto itens feitos de PET (01), PEAD (02), PEBD (04) e PP (05) apresentam alta reciclabilidade, outros enfrentam reciclagem complexa ou inviável, a exemplo do PVC (03) (comum em canos de água), do PS (06) (como talheres descartáveis e o isopor) e do grupo 07 (que reúne plásticos diversos e embalagens laminadas). Para mitigar esses entraves na cadeia, especialistas reforçam a importância de higienizar os plásticos antes do descarte: o impacto ambiental do acúmulo do material na natureza é muito mais nocivo do que o uso de água para a sua limpeza, visto que se espera que essa água seja tratada, como afirma o Dr. Italo Moura.
A médio e longo prazo, o combate à poluição exige uma transição para consumos mais sustentáveis. A ciência tem avançado significativamente na viabilização de plásticos biodegradáveis feitos a partir de cana-de-açúcar e milho, bem como em alternativas biofabricadas de alta tecnologia capazes de se decompor em condições naturais.
Mais de 50% do oxigênio que respiramos não vem das florestas tropicais, mas sim do fitoplâncton — as microalgas marinhas. Como bem sintetiza a oceanógrafa Dra. Sylvia Earle, “sem azul, não há verde; se não houver oceano, não há vida na Terra”. Além da produção de oxigênio, o oceano absorve mais de 90% do excesso de calor gerado pelas emissões de gases de efeito estufa. Sem a vida marinha para manter o equilíbrio químico da água e regular esse sistema, o planeta enfrentaria um superaquecimento global a ponto de inviabilizar a agricultura e a própria vida terrestre.
Diante desse cenário, o trabalho da Parley — que já alcançou mais de 1 milhão de participantes em 66 países e retirou mais de 10 milhões de quilos de detritos de litorais — serviu de inspiração para que os colaboradores da IDES repensem suas ações cotidianas que causam impacto ecológico.
Além da mudança de hábitos individuais proposta pela campanha, ao engajar seus profissionais, a Comissão de Sustentabilidade da IDES em parceria com a Parley, cumpre um papel cidadão essencial, preparando a sua comunidade para atuar de forma consciente, reduzir o consumo cotidiano e cobrar das empresas e do poder público a devida responsabilidade socioambiental.

Referências:
Parley TV
TVcidadeverde
Canal 5.2
GZH ZeroHora
e-Cycle - Ivanir Ferreira - Jornal USP
https://www.ecycle.com.br/um-terco-das-embalagens-plasticas-nao-e-reciclado-vira-rejeito-em-aterros/
We’re Keeping the Ocean Wild — and You Can Join Us | Sylvia A. Earle | TED




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